Ele tinha 17 anos, ela 16 e o namoro havia completado o primeiro aniversario em 1987.
Telefonou para ele bastante aflita, marcando encontro para o dia seguinte apos as aulas. Dava para perceber que o assunto era grave, mas ela recusou dizer do que se tratava. Uma noite de especulacoes. Acho que ela vai terminar o namoro, dizer que conheceu alguem, coisas do tipo.
Dificil concentrar na aula de matematica pensando que vai levar um fora.
Horas que se arrastam, recreio interminavel, lanche entalado na garganta. Muito refrigerante para fazer descer o "bate-entope".
O sorriso largo e habitual fora substituido por um semblante serio e cinzento. De longe ja dava para perceber que os beijinhos estavam fora do cardapio...
Ela disparou logo que a menstruacao estava atrasada. Mas voce tem certeza, indagou, fez o teste da farmacia? Ela nao tinha tido coragem. Conversou com uma amiga no colegio, iria fazer naquela tarde... Ele comecou a rir, um riso que lhe escapava dos labios, completamente nervoso. Ela transbordou descontrole, dando leves socos em seu peito e o acusando de fazer chacota num momento de grave aflicao. Mas o que podemos fazer?, perguntou. Ele sabia que um aborto estava fora de cogitacao para os dois.
Fora um alarme falso. Se a gravidez tivesse sido confirmada, o filho ou filha estaria hoje com 22 anos e suas vidas seriam totalmente diferentes. Ele nao teria abandado a faculdade de
medicina no quinto ano para fazer teatro, provavelmente. Talvez ainda estivessem juntos. Ou nao.
O fato e que o namoro nao completou dois anos. Seus desejos eram conflitantes...
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